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terça-feira, 27 de março de 2012

Médico afirma que uso de armas taser pode matar



A pistola taser entra aos poucos no cenário da segurança pública em Minas Gerais como grande inovação em armamentos. São 560 equipamentos nas mãos de policiais militares de BH e da região metropolitana e 200 com a Guarda Municipal.
Em breve, o interior do estado também receberá a pistola de eletrochoque cuja finalidade é imobilizar suspeitos. Mas a nova arma considerada não letal é alvo de controvérsia depois de dois casos recentes de morte. Segundo especialistas, ela pode matar, sim. Na madrugada de domingo, um homem de 33 anos morreu em Florianópolis (SC) depois de ser imobilizado por uma pistola taser durante ocorrência policial sobre briga doméstica. No dia 18, um turista brasileiro morreu na mesma circunstância em Sydney (Austrália).

As primeiras armas do estado foram entregues ano passado pelo Ministério da Justiça. Além da PM e da Guarda Municipal, Varginha, no Sul do estado, recebeu 30 pistolas. Em Uberaba, a Guarda Municipal também recebeu 100 pistolas taser. A assessoria da Guarda de BH informou que o taser é usado em último caso, depois de frustradas todas as tentativas de parar o suspeito com outros métodos, como a força física e spray de pimenta. Acrescentou que a arma já foi usada na capital, mas sem registro de excessos.

O chefe do Centro de Treinamento Policial, da PM, major Márvio Cristo, afirma que o taser é tema dos treinamentos constantes na corporação. “É uma tendência mundial e alternativa operacional, usada dependendo da necessidade”, afirma. Desde a chegada das armas, em julho de 2011, foram usadas sete vezes, das quais quatro pela Guarda Municipal. “Elas têm um chip que registra o uso”, informou o major.

Para o coordenador do Departamento de Arritmologia do Hospital Vera Cruz, cardiologista Geraldo Magela Alvarenga Júnior, o correto seria tratar a arma como “menos letal”. “Ela tem um risco, sim e, dependendo do caso, pode matar, principalmente os cardiopatas ou quem tem arritmia cardíaca”, alerta. Ele explica que assim como os choques são usados nos pacientes com arritmia para tirá-los desse estado, podem também provocá-los. E adverte: quanto maior a frequência dos choques ou quanto mais próximo do coração, maior a probabilidade de morte.

Em dois casos graves de arritmia, o coração pode parar instantaneamente: fibrilação ventricular e taquicardia ventricular sustentada. Em ambas as situações, o ventículo é atingido e para de contrair, não bombeando mais sangue para o cérebro e outros órgãos. “É como se ele fosse uma mão que se fecha. Na fibrilação, ele fica tremendo e, na taquicardia, nem isso”, relata.

“Quando os ventrículos são atingidos a ponto de gerar uma parada, sem fluxo para o cérebro, a pessoa desmaia, tem uma síncope e se o coração continuar parado, sem manobras de ressuscitarão, como massagem cardíaca ou respiratória, começa a ter uma isquemia dos órgãos, inclusive do cérebro. A cada minuto nessa situação, tem 10% de chance a menos de se salvar.”

Para o médico, os efeitos da arma em seres humanos deveriam ser mais bem estudados antes do uso pela segurança pública ou, onde ela já está presente, ser até mesmo suspensa, como cautela para evitar novas mortes. “Desconheço um trabalho científico para testar isso em humanos. Como usar uma pessoa para dar alguns choques e ver a repercussão? O trabalho para comprovar o malefício ou não do taser, do ponto de vista ético, é complicado.
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