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sábado, 24 de março de 2012

Fãs participam de velório de Chico Anysio no Theatro Municipal


Rio -  A entrada dos fãs no velório do humorista Chico Anysio foi liberada por volta das 13h30 deste sábado. Antes da permissão, mais de 200 pessoas ocupavam as calçadas na frente do Theatro Municipal, no Centro da cidade, aguardando a oportunidade de dizer o último adeus. Uma fã da Ilha do Governador chegou cedo e está com cartaz na porta do teatro. O cartaz da auxiliar de produção Mirlene da Silva, de 45 anos, diz: "Vai com Deus. Deus te guie, saudades de sua fã Mirlene".
"Sou fã do Chico desde 10 anos de idade. Faltei ao trabalho para prestar minha última homenagem. Se eu ficar desempregada, não tem problema", afirma.
Uma das pessoas mais abaladas na chegada ao teatro era Alcione Mazzeo, mãe do Bruno Mazzeo, que chegou ao local chorando copiosamente. O diretor musical da Escolhinha do Professor Raimundo, Tim Rescala, falou sobre o aprendizado proporcionado aos humoristas pela Escolinha. "Foi o maior humorista do Brasil. Ele nunca quis competir com ninguém. A Escolinha serviu como escola para os atores", disse.
Na parte da manhã, a cerimônia foi restrita a amigos e familiares. Os filhos do humorista Bruno Mazzeo e Nizo Neto estão entre os primeiros a chegar, assim como a atriz Glória Pires, o cantor Elymar Santos e a atriz Marília Pêra.
Ele é um grande amigo, extremamente generoso, tenho três quadros pintados por ele. Ele e o Paulo Autran foram dois gênios. Acho impressionante a capacidade que ele tinha de fazer várias coisas e bem feitas", afirmou Marília Pêra.
Elymar se emocionou ao falar do amigo e não poupou elogios. "Ele era como o Chaplin. Muito mais que o talento, a marca dele era a generosidade. Ele dava oportunidade para novos artistas", disse.
De acordo com o advogado da família, Paulo César Pimpa, o corpo de Chico será cremado no domingo, no Cemitério do Caju, na Zona Portuária. Ainda não há informações sobre o horário.
Chico Anysio se orgulhava de ser nordestino arretado e de não fugir à luta jamais. Além do gênio criativo, o humorista tinha talento nato para dar declarações polêmicas. Ele nunca teve medo de falar o que pensava e pagou caro algumas vezes por isso. Na TV Globo, após a saída de José Bonifácio de Oliveira (Boni), que foi vice-presidente de Operações da emissora, em 1998, o humorista foi perdendo espaço na programação e acabou botando a boca no trombone, criticando o excesso de jovens e a condução artística da emissora. Nos anos 2000, as queixas de Chico não repercutiram bem, ele brigou com a então diretora geral Marluce Dias da Silva e foi punido.
Chico também se gabava de fazer crítica social, com personagens como o político corrupto Justo Veríssimo e a gaúcha Salomé, que conversava ao telefone com o então presidente João Batista Figueiredo e criticava o governo dos militares.
“Eu sempre defendi o pobre, o preto, o nordestino, o retirante, o mendigo, o preso e o esfarrapado. Então, rico, nos meus programas, sempre fez papéis ridículos, nunca fiz um rico que se desse bem”, disse. Quando falava de política, ele também não tinha papas na língua: “No Brasil de hoje, os cidadãos têm medo do futuro. Os políticos têm medo do passado”.
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