Rio de Janeiro - Brasil

terça-feira, 6 de março de 2012

Apesar da PM, cracolândia só mudou de endereço



Um garoto de cerca de 14 anos empurra um carrinho de supermercado, com uma mulher que aparenta ser sua mãe desacordada dentro dele. No meio da rua, na esquina da Conselheiro Nébias com a General Osório, no centro de São Paulo, um homem sem camisa com um cachimbo de crack na mão beija o capô de um carro que não é dele e fala sozinho. Ao seu lado, outro jovem observa se viaturas da Polícia Militar se aproximam, fazendo função de olheiro para pequenos traficantes locais.
São 22 horas de sábado e entre 150 e 200 pessoas se aglomeram para fumar e vender crack no meio da rua, em um ritual que se repete há mais de 20 anos. Agora, os consumidores vagam entre os quarteirões das Ruas Santa Ifigênia, Guaianases, Timbiras, Vitória, Duque de Caxias, Conselheiro Nébias, Gusmões, General Osório e Triunfo. Conforme se aproximam viaturas da PM ou seguranças privados com cassetetes, pagos pelos comerciantes da região, eles mudam de lugar e se aglomeram em outro ponto.
Dois meses depois de iniciada a Operação Centro Legal na cracolândia, o consumo e a venda de crack resistem na região, apesar da presença ostensiva da PM e das prisões. As aglomerações e “procissões do crack”, agora, migraram para o coração do projeto Nova Luz, a poucos metros da região da Rua Helvétia, Alameda Dino Bueno e Barão de Piracicaba, onde os consumidores ficavam quando Estado e Prefeitura deflagraram a operação – e que agora está sem viciados.
Os últimos números divulgados nos balanços da Prefeitura e do governo do Estado, em 1.º de março, mostram um volume impressionante de intervenções. Foram presas 377 pessoas só na região – 293 eram acusados de tráfico. Os outros são condenados recapturados pelos homens das Polícias Militar e Civil e Guarda Civil Metropolitana.
Na área da Saúde, segundo os dados do governo do Estado, foram 299 internações. Isso significa que, em dois meses, foram retiradas das redondezas 676 pessoas. Quando a Operação Centro Legal começou, a PM dizia haver cerca de 400 pessoas na região.
Abordagens
Na noite de sábado, nas quatro horas em que a reportagem acompanhou a movimentação na cracolândia, a cena que se viu foi a mesma de meses e anos anteriores. PMs até que tentavam abordar os usuários. Em uma dessas abordagens, com quatro viaturas – uma da Força Tática –, cerca de 20 pessoas foram enquadradas na Rua Guaianases.
Cachimbos de crack eram recolhidos e os nomes das pessoas eram repassados para a Central de Operações da PM, para saber se eram ou não procurados pela Justiça. Abordagem semelhante ocorreu na Rua Apa, dessa vez com cerca de 30 usuários.
Em dois meses, foram 23 mil abordagens da PM, o que significa perto de 400 por dia. Mas os usuários não se intimidam e preferem se arriscar para viver o cotidiano intenso da cracolândia
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1 comentários:

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