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terça-feira, 13 de março de 2012

CE: Homem tenta provar que está vivo em Canindé



Um engano no reconhecimento de um corpo estar causando a maior polêmica no Município de Canindé que fica a 126 quilômetros de Fortaleza. O galego Antonio Rodrigues Mathias de 44 anos, apareceu vivo em casa depois que sua ex-mulher tinha reconhecido um corpo no Instituto Médico Legal como sendo de Zico como ficou conhecido na cidade. A confusão começou depois que um corpo foi achado crivado de bala na saída de Maranguape bem próximo da BR-020. No IML ele foi identificado com sendo de Antônio Rodrigues, nascido no dia 13 de junho de 1968.
 Ao ver o corpo no IML, minha ex-mulher Lurdirene dos Santos Freitas achou que era eu e autorizou a liberação para sepultamento'', diz o galego.
A liberação do corpo aconteceu no dia 16 de fevereiro de 2009 sob registro de número 397, assinado por Eliene do setor de necropsia do Instituto Médico Legal, numa declaração de óbito
De acordo com o documento ele havia falecido no dia 13 de fevereiro de 2009 e foi sepultado ao meio dia na quadra 79 - sepultura 1953 do Cemitério São Miguel de propriedade da Paróquia de São Francisco das Chagas. Pela guia, a família pagou R$ 20,00.Foi feito o velório com direito a despedida de amigos e familiares e depois o sepultamento. A confusão tomou conta da família quando a filha de Antonio Rodrigues, recebeu um telefonema do pai, onde ele perguntava se sua mãe havia providenciado o dinheiro a quantia de R$ 150,00 para seus irmãos.
A verdade só veio a tona quando o galego chegou em casa no dia 16 de fevereiro de 2009 as 16h. Ele disse na ocasião que tinha ido a Tejuçuoca trabalhar. Agora a luta é para saber quem foi enterrado em seu lugar.Passados três anos, o galego quer provar que estar vivo e precisa recomeçar a sua vida. Dr. Sarto do Instituto Médico Legal disse a Reportagem do Diário do Nordeste por telefone que a exumação do corpo que encontra-se enterrado em Canindé, só poderá acontecer após o pedido feito pela Delegacia Regional de Polícia Civil da cidade, ou por autoridades do Fórum Gerôncio Brígido Neto.
''Após esse procedimento aí sim, iremos começar a preparar o processo de exumação'', disse.Já a Delegado Regional de Polícia Civil Dra. Cláudia Guia disse não conhecer a história do galego, porque na época não era a Delegada de Canindé, mas que está aberta a ouvir a história do homem que tentar provar para a justiça que ainda não morreu. ''Por telefone ela falou ao DN que não sabia desse caso, mas que iria tratar de conhecê-lo para encontrar uma solução.
O procurador do Município de Canindé Dr. Júnior Portela Leal, numa entrevista ao Diário do Nordeste falou que o primeiro passo será pedir a anulação da certidão de óbito e em seguida a indenização por danos morais pelos constrangimentos que Antonio Rodrigues tem passado.''Queremos saber como o corpo foi liberado, se houve exame de necropsia e o que levou o IML a liberar o corpo. Como se deu essa liberação, se através de um documento ou apenas por reconhecimento pessoal'', frisou o advogado.
Enquanto não se chega a uma decisão o galego vai vivendo, ou melhor passa despercebido pelas ruas da cidade e quando alguém que lhe conhece logo lhe chama de morto vivo. ''Não tenho nada, perdi tudo, até o direito de ser cidadão. Me falta documentos, e reconhecimento por parte das autoridades'', lamenta. Um fato inusitado é que o morto corre o risco de ser preso por conta no atraso da pensão alimentícia das filhas. ''Não tenho como pagar, não tenho trabalho'', diz.
 Ele conta uma cena em que uma dia foi cobrar uma cliente na localidade de Vaca Brava na divisa de Canindé com Tejuçuoca e ao chegar na residência, quando a mulher lhe viu entrou no mato e saiu gritando quem pode mais que Deus. ''É ruim não sei mais o que fazer, tudo isso tornou minha vida um inferno'', fala Zico como é conhecido na cidade.

Foto: Antonio Carlos Alves
Assessoria de Imprensa Rádio Jornal de Canindé- Blog540.net
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