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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Cerca de R$ 1,8 milhão foram doados à Igreja Maranata


Um total de 1,8 milhão de recursos públicos foi destinado por deputados estaduais para a fundação da Igreja Cristã Maranata. Entre os parlamentares que destinaram os recursos para a fundação Ademar Passos de Barros – no período de 2005 a 2011 – estão Elcio Álvares, Aparecida Denadai, Geovani Silva e Jurandy Loureiro. Os três primeiros são fiéis da igreja; e o último, amigo pessoal do presidente da instituição, Gedelti Victalino Gueiros.

Os valores foram entregues para compra de ambulâncias, subvenções sociais, apoio a entidades filantrópicas, compras de equipamentos e até para melhorias no atendimento. Quem mais fez doações no período foi Elcio (R$ 860 mil), seguido de Aparecida (R$ 450 mil), de Geovani (R$ 410 mil) e, por último, Jurandy (R$ 80 mil).
A fundação leva o nome do primeiro presidente da Maranata, Manoel dos Passos Barros, sogro do atual líder da igreja, Gedelti. Hoje é administrada por Nilson Ladeira. O administrador anterior era Antônio Tarcísio Correa de Mello, cujo nome aparece em um dos muitos documentos relativos ao esquema de fraude montado por membros da instituição.

Crédito

O documento – um comprovante  de crédito em conta corrente –  teria sido feito por uma parente de José Gomes Filho. De acordo com ele, o valor refere-se ao pagamento de um empréstimo que conseguiu com Antônio Ângelo Pereira dos Santos, o vice-presidente afastado pela igreja e apontado como cabeça do esquema de desvios. “Fui orientado por Antônio Ângelo a depositar na conta de Tarcísio como pagamento de parte de um lote em Domingos Martins”, diz José Gomes, no mesmo documento.
Também participava da diretoria da fundação o coronel reformado da Polícia Militar Renato Duguay Siqueira. Ele foi um dos militares que comandaram a “rebelião de coronéis contra o ex-secretário de Segurança Pública, Rodney Miranda, após a publicação do livro “Espírito Santo”. A obra relata a participação de militares, incluindo coronéis, na morte do juiz Alexandre Martins  Filho.

Desvio

O desvio de recursos na Maranata contava com a participação de pastores, diáconos e até fonecedores, segundo investigações da  igreja. Estimativas iniciais apontam para um rombo de R$ 21 milhões. A igreja recorreu à Justiça, pedindo ressarcimento de R$ 2,1 milhões. Além  do vice-presidente, o contador Leonardo Meirelles de Alvarenga foi afastado.
foto: Fábio Vicentini

O presidente da Maranata, Gedelti Victalino Gueiros, foi intimado a depor quinta-feira (09)

A Maranata, por meio de sua assessoria, informou que  Tarcísio e Duguay não atuam na fundação há um ano e que as transações que envolvem ao nome deles são particulares.
 
Ex-deputado não se arrepende de ter apoiado  doações

O deputado Élcio Alvares (DEM), a ex-deputada Aparecida Denadai (PDT) e os ex-deputados  Geovani Silva e Jurandy Loureiro (PSC) foram procurados por A GAZETA para comentar sobre as emendas parlamentares que apresentaram na Assembleia Legislativa  a favor de repasses financeiros do Estado para a Fundação Manoel Carlos de Barros. Somente o ex-deputado Geovani Silva atendeu às ligações.
Ele afirmou que não se arrepende de ter apoiado a doação de recursos à fundação, coordenada pela Igreja Maranata. “Se a igreja está com problemas isso não significa que as emendas também estão. Não há nenhum problema e prova alguma que diga o contrário. Não fiz nada errado”, defende-se Geovani Silva.

Prevenção

Ao todo, entre 2005 e 2011, foram mais de R$ 1,8 milhão destinados para ações sociais. Segundo o ex-deputado Geovani Silva, parte dessa verba, aprovada pela Assembleia Legislativa, foi destinada a programas de prevenção ao câncer de pele. “Visitei os espaços ajudados pela fundação e vi para onde parte do dinheiro foi. Entre os locais está o Cacon (Centro de Alta Complexidade em Oncologia)”, disse.
O ex-deputado frisou que acredita na palavra do presidente da Igreja Maranata, Gedelti Gueiros. “Por ele, boto a minha mão no fogo”, frisou Geovani Silva. Ele, o deputado Elcio Álvares e a ex-deputada Aparecida Denadai são membros da igreja. O  ex-deputado Jurandy Loureiro é amigo de Gueiros. (Maurílio Mendonça)

Presidente da igreja chamado a depor nesta quinta-feira (09)

O presidente da Maranata, Gedelti Victalino Gueiros, foi intimado a depor quinta-feira (09) no inquérito que investiga o esquema de fraude montado na cúpula da instituição. Seu depoimento está marcado  para as 10 horas, na Delegacia de Defraudações, em Vitória. A intimação foi entregue na manhã de ontem, segundo o delegado Gilson Gomes.

O inquérito policial foi aberto há três dias, segundo o delegado, com base em reportagens publicadas sobre o assunto. “E   já conta com três volumes”, assinalou Gomes, na tarde de ontem, acrescentando que tem recebido diversas denúncias e informações de fiéis. A polícia  também recebeu um ofício do juiz da 8ª Vara Cível,  Robson Albanez, solicitando que investigasse o caso.

Albanez – denunciado pela Operação Naufrágio por venda de sentenças – decretou, a pedido da Maranata, segredo de Justiça na tramitação do processo. Até o fim da noite de ontem,  não estava confirmada a ida de Gedelti à delegacia.

 Preocupação com malha fina nos EUA

Uma troca de e-mails entre pastores revela que a remessa de dólares para o exterior chamou a atenção do Banco Central dos Estados Unidos. O comunicado foi feito pelo pastor americano Ben Kennedy a Antônio Ângelo Pereira dos Santos, o pastor que ocupava a vice-presidência da Maranata e que foi afastado após ser apontado como o cabeça do esquema desvio de recursos.

Todo mês, Kennedy enviava a Antônio um relato sobre as remessas de recursos destinados ao Leste Europeu. Em março de 2011, relatou ter recebido um telefonema do representante do Banco Central norte-americano.

“A impressão que tive foi de que estamos em alguma malha fina da auditoria do governo americano, que sempre procura indícios  de lavagem de dinheiro e financiamento de terrorismo”, diz Kennedy, em seu e-mail. E orienta: “Talvez seja interessante considerar fazer estas transferências pela Europa”.
A Maranata informou que desconhece irregularidades nesse sentido. Caso tenha ocorrido, terá sido mais uma atitude irregular do antigo gestor. Diz que mantém seu compromisso de apurar as denúncias e exigir, pelos meios legais, a punição dos responsáveis e o ressarcimento do que lhe foi subtraído.
 
Pastor omitiu bens em sua declaração de imposto

O nome de Antônio Ângelo Pereira dos Santos, o homem que ocupava a vice-presidência da Igreja Cristã Maranata, aparece em documentos de compras de imóveis que não foram declarados ao Imposto de Renda. Ele foi afastado de suas funções – administrativas e religiosas – após ser acusado de montar um esquema de desvio de recursos do dízmo.

Um desses imóveis é um apartamento localizado em Valparaíso, na Serra, comprado em 2007. No mesmo município, há outro imóvel em um condomínio fechado, que ainda não foi declarado ao fisco.
O curioso é que, no mesmo município e das mesmas construtores, outro membro da igreja comprou imóveis bem semelhantes, que juntos totalizam mais de R$ 600 mil. Essa pessoa – que em 2009 declarou ser solteira e ter como profissão “pavimentador” – passou para Antônio Ângelo uma procuração com amplos poderes. Há indícios de que essa pessoa seria um laranjas do vice-presidente afastado.

Em casa

Há documentos ainda que que mostram a movimentação financeira de Antônio Ângelo e que revelam que ele vendeu para a própria igreja uma área localizada em Serra-Sede.

além de ser apontado como o responsável pelo desvio de recursos do dízmo, documentos mostram ainda que antonio angelo também atuava nas empresas que prestavam serviço para o presbitério de vilavelha, que ele administrava como vice-presidente.

Uma delas é uma empresa de serviços elétricos que o contratou como consultor. Pelo serviço “extra”, praticado em quinze horas semanais para esta empresa, ele recebia, mensalmente, R$ 12 mil.

Há ainda dezenas de cheques e transferencias para  contas correntes, todas nominais – obtidos por A gazeta – que foram creditados na conta de antonio angelo por diversas empresa. Todas elas prestaram depoimento na investigação feita pela maranata e revelando que do faturamento qwue obtiveram junto ao presbitério, cerca de 60% a 70% eram destinados ao antonio angelo.

Defesa

O advogado josé luiz oliveira de abreu, que defe3nde antonio angelo e o contador Leonardo meuirelles de alvarenga, tambpem acusado pelos desvios, diz que todo o material obtido pela investigação da igreja não tem relevância e que boa parte dos documentos são anônimos.

Acrescenta ainda que seus clientes não tiveram o direto de se defenderem junto á igreja e que só podem ser considerados culpados após julgamento.
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