Rio de Janeiro - Brasil

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Petróleo, o ouro negro da discórdia.


Hoje venho falar mais uma vez sobre os Royalties do petróleo, assunto que esta em pauta desde o descobrimento do pré sal, onde despertou interesse dos demais Estados da federação sobre os recursos dos Royalties que pela constituição em vigor, estabelece uma compensação aos Estados produtores.
O que seria um Estado produtor de algo retirado do mar?
Muitos fazem esse pergunta para justificar a retirada desses recursos dos produtores, sob alegação de que como o petróleo e retirado da plataforma continental e não no continente, não deveria beneficiar os produtores, que sob esta ótica não seria produtor de nada!
Diferentemente do minério de ferro retirado diretamente em seu território, como o caso de Minas Gerais e outros Estados, o petróleo em questão e retirado do mar, porem sua localização esta diretamente associada a determinadas localidades, por exemplo a bacia de campos, onde e extraído 80% do petróleo nacional não fica próxima ao Paraná, muito menos a São Paulo, quiçá Brasília!
Por isso toda logística de extração e ate mesmo transporte se localiza em Campos, cidade do norte fluminense. Isto é, alem de questões ambientais trouxe ao longo das ultimas décadas uma explosão demográfica nessas áreas, pessoas na busca de uma oportunidade de trabalho, vieram de varias partes do País, principalmente do nordeste, inflando a população das cidades do norte fluminense, fenômeno visto a passos largos principalmente em Campos e Macaé.
Com isso essas cidades que tinham pouca infra-estrutura, ate porque sua população não era comparável com a de hoje, precisou se adaptar, para conseguir oferecer a todo esse contingente, saúde, educação, transporte, saneamento básico, etc...
Esse e um tipo de problema que não afeta os Estados tidos como não produtores, por isso e uma falta de bom senso tirar esses recursos de quem participa de todo processo de extração petrolífera, não se importando no impacto financeiro que causara a essas cidades.
O pior de tudo e a falta de inteligência dos senadores da bancada do nordeste e norte que tanto trabalharam para conseguir aprovar a mudança na distribuição dos Royalties, querendo igualdade na divisão, quando a proposta aprovada no senado vai beneficiar Paraná, São Paulo e Santa Catarina, ou seja Estados ricos.
Na pratica haverá apenas uma mudança nos beneficiários, muda-se Rio e Espírito Santo, produtores, para Paraná, São Paulo e Santa Catarina, que ficarão com o bolo, e os nordestinos que lutaram tanto para esse divisão acabarão ficando com migalhas, comparado ao que receberão os Estados citados que já são ricos, como exemplo São Paulo que ficara mais rico ainda, pois alem de passar a ser um dos maiores beneficiados com a mudança nos recursos dos Royalties, ganham ainda ICMS relativo à extração de petróleo, que é cobrado no "destino" e não na "origem", se beneficiando com essa situação.

Me faz lembrar ate aquela musica de um grupo baiano onde o refrão diz:” O motivo todo mundo já conhece: é que o de cima sobe e o debaixo desce. ... “
Esse briga pelos recursos do ouro negro esta provocando um desgaste não somente político, entre as bancadas dos Estados, mas também entre a população. Nos outros Estados vejo uma visão deturpada que o brasileiro tem do Rio, e parece que vêem nessa briga pelos recursos do petróleo uma forma de “ sacanear o malandro carioca”. Pude ter essa percepção navegando por  portais de jornais de varias partes do Pais, que quando o assunto e abordado nos comentários dos leitores e bem visível isso.
Recentemente entrei no site do  jornal A Tarde online, da Bahia e eles estavam fazendo uma enquete sobre a divisão dos recursos do petróleo, inclusive mandei um comentário que não foi publicado pelo portal, mas enfim, a maioria dos participantes( baianos, e claro)tinham essa visão deturpada do Rio, diziam ser um Estado que sempre foi beneficiado pelo governo federal, outros chamavam os Cariocas de  deitões” que não trabalham e ficam na praia jogando futebol.
Esse “carioca” e personagem de novela da Globo, pois o carioca da vida real trabalha e muito, segundo estatística do IBGE, o Carioca tem a maior carga horária de trabalho, se comparado a outros Estados do Sudeste.
E voltando ao assunto da tal discórdia, o Carioca por sua vez também com essa briga pelos recursos do petróleo, esta se sentindo saqueado, como se fosse o Brasil contra o Rio.
Por esse motivo chamo o petróleo como o ouro negro da discórdia, riqueza que provoca guerra entre nações e que esta fazendo um racha no Brasil e com certeza, caso aprovado a mudança de divisão desses recursos da forma que foi aprovada no senado, deixará seqüelas nada amistosas do povo carioca e fluminense em relação ao País.

Por
Uanderson  

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