Rio de Janeiro - Brasil

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

População é contra imposto à saúde e critica corrupção


A população brasileira rejeita quase que por unanimidade o aumento de impostos ou a criação de um novo tributo como forma de se ampliar os recursos a serem destinados para a saúde pública. Pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com o Instituto Ibope divulgada nesta quinta-feira (12) aponta que apenas 4% defendem a necessidade de elevação da carga tributária para se conseguir mais financiamento para o setor.
Para 82% do eleitorado, os recursos adicionais para a saúde poderiam ser conseguidos se o governo acabasse com a corrupção. Outra medida considerada importante para a melhoria dos serviços de saúde é a redução de desperdícios, citada por 53% dos entrevistados. 
"A impressão que têm as pessoas é que, se acabar corrupção e se reduzir o desperdício, a quantidade de impostos é suficiente para o Estado prover saúde, segurança e educação. A questão é como realocar (os recursos)", comentou o gerente-executivo da Unidade de Pesquisa da CNI, Renato da Fonseca. 
De um modo geral, a população considera não ser necessário transferir recursos de outras áreas para se aumentar o volume de investimentos em saúde. Dos entrevistados, apenas 18% apontam a realocação de recursos como alternativa. A pesquisa CNI/Ibope tem margem de erro de dois pontos percentuais. O levantamento foi realizado com 2002 pessoas em 141 municípios no período de 16 a 20 de setembro de 2011.
 Hospitais
Em uma escala de 0 a 10 pontos, os hospitais públicos receberam dos entrevistados nota média de 5,7 e os privados, 8,1. A demora no atendimento aos pacientes foi citada por 55% dos entrevistados como o principal problema do sistema público de saúde; 61% já utilizaram algum serviço de saúde nos últimos 12 meses, sendo que 79% dos atendimentos foi ambulatorial. As mulheres utilizaram os serviços de saúde em maior número (68%) nos últimos 12 meses. Dos homens entrevistados, 53% disseram ter precisado de atendimento nesse período. Do total de pessoas ouvidas, 79% utilizaram o serviço de saúde na rede pública nos últimos 12 meses.
O aumento no número de médicos foi apontado por 57% da população como uma das medidas que devem ser tomadas para melhorar o serviço médico na rede pública. Para 71% dos entrevistados, as políticas preventivas de saúde são mais importantes que a construção de hospitais. A privatização da saúde, com a transferência da gestão dos hospitais públicos para o setor privado, foi apontada por 63% das pessoas ouvidas como medida que melhoraria o atendimento dos pacientes.
 Medicamentos
Um dos itens que surpreendeu os pesquisadores, segundo o gerente Executivo de Pesquisa da CNI, Renato da Fonseca, foi a concordância de 84% dos entrevistados de que a venda de medicamentos só deve ser permitida com a apresentação e retenção de receita. Segundo ele, é comum entre os brasileiros procurar o farmacêutico para pedir remédio em vez de ir ao médico. Os medicamentos genéricos foram apontados por 82% da população como tão bons quanto os de marca e 80% dos entrevistados concordaram total ou parcialmente que o parto normal é melhor do que a cesariana.
 As pessoas de maior renda familiar ou de maior grau de instrução fizeram avaliação mais negativa sobre a qualidade da saúde pública no Brasil, com ênfase nos municípios com mais de 100 mil habitantes ou nas capitais. As mulheres dão opinião mais negativa sobre o sistema de sua cidade, com 55% das opiniões para ruim ou péssimo, número que entre os homens cai para 51%. O Ibope ouviu 2002 pessoas em 141 municípios.

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