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sexta-feira, 21 de junho de 2013

Com marcas de vandalismo, Centro do Rio vive um dia de reconstrução


Depois de sofrer com atos de vandalismo de grupos isolados durante a manifestação da noite de quinta-feira, o Centro do Rio amanheceu com postes caídos no chão, relógios, abrigos de ônibus e semáforos destruídos, além de vidraças quebradas de estabelecimentos comerciais e agência bancárias. Funcionários da prefeitura trabalham, desde o início da madrugada, na reconstrução dos equipamentos danificados. 

O maior problema são os sinais de trânsito e radares da Avenida Presidente Vargas, que foram parar no chão. O tráfego só foi totalmente liberado às 5h, mas ainda há problemas na sinalização.

Apesar de ter atingido outros pontos, o protesto se concentrou na avenida, no trecho entre a Candelária e o prédio da prefeitura. Desde os primeiros minutos desta sexta-feira, a Comlurb começou a fazer a limpeza de toda a área atingida pelos vândalos. Em dois pontos da Presidente Vargas, nas grades do Campo de Santana e do Rio Imagem, os garis arrancaram os cartazes que foram colocados pelos manifestantes, durante o ato que reuniu aproximadamente 300 mil pessoas. Por conta da agressividade dos grupos de vândalos, que derrubaram postes e quebraram lâmpadas, a área do Campo de Santana estava sem energia elétrica pela manhã.

Com o auxílio de carros e caminhões, os funcionários da prefeitura retiravam as estruturas de ferro de postes que sustentavam radares e também de abrigos de ônibus, que foram totalmente destruídos. Dos 28 radares do corredor BRS da Avenida Presidente Vargas, 26 foram danificados. Ao longo da via, moradores de rua aproveitavam para catar o material que estava espalhado pelo chão.

Funcionários da Comlurb usavam um pequeno trator para retirar os destroços de uma cabine da Polícia Militar, que ficava em frente à Central do Brasil, e foi incendiada durante as manifestações da noite desta quinta-feira. O grande número de pessoas que chega à Central do Brasil para seguir para o trabalho vê com perplexidade o cenário de destruição.

A recepcionista Luciana Silva, moradora de Duque de Caxias, enquanto tirava fotos da cabine queimada com o celular, afirmou ser favorável às manifestações, mas não ao vandalismo.
— Bandidos estão se aproveitando das manifestações para cometer vandalismo e roubar. Em Duque de Caxias, onde moro, haverá uma manifestação nesta sexta-feira e as pessoas já estão avisadas que isso também ocorrerá lá — lamentou Luciana.

O cozinheiro Juscelino Nascimento, morador de Piabetá, em Magé, descreveu com tristeza a destruição no Centro:

— Não é assim que vamos construir nada. Devemos nos manifestar, por exemplo, contra o aumento do custo de vida na cidade, mas de forma pacífica. Não podemos deixar que vândalos se aproveitem para fazer o que fizeram.

Na Presidente Vargas, o prédio dos Correios foi um dos mais depredados. Em toda a fachada, há vidros quebrados e placas de ferros retorcidas. Em uma das janelas quebradas, uma funcionária dos Correios afirmava que computadores no interior do prédio também foram destruídos. Elienai Lima, atendente que trabalha num prédio comercial ao lado, criticava a ação dos vândalos, embora afirmasse ser a favor das manifestações.

— É triste, o povo se reúne para cobrar melhorias, e acontece uma calamidade dessas. Os vândalos não entendem que, com tudo quebrado, vão dar mais motivo para usarem nosso dinheiro na hora de consertar isso tudo. Eles se misturam no meio de quem veio lutar por melhorias para fazer arruaça.

Perto dali, há marcas de pedradas no prédio do Arquivo Geral da Cidade e até no Centro Integrado de Comando e Controle do Rio de Janeiro (CICC), inaugurado no dia 31 de maio. As paredes do prédio da Cedae voltadas para a Praça Onze foram pichadas. Pelo menos oito agências bancárias foram depredadas, desde a Candelária até próximo à Avenida Passos.

O rastro de destruição seguiu por outras ruas do Centro. Dois prédios comerciais perto da Avenida Passos tiveram os vidros das fachadas quebrados. Na Avenida Rio Branco, os vândalos quebraram vidraças de agências bancárias e de lojas e lanchonetes, além de pichar a fachada de outros estabelecimentos comerciais. Uma janela da estação Praça Onze do metrô foi quebrada com pedras.

Na Lapa, que também foi palco de conflitos, os rastros de destruição são vistos principalmente em estabelecimentos comerciais e agências bancárias. Na Rua do Passeio, uma loja de departamentos foi saqueada. Na manhã desta sexta-feira, funcionários repuseram o material nos estandes e vitrines. As portas de ferro do estabelecimento foram retorcidas por onde os vândalos entraram. Na Rua Riachuelo, vidros da fachada de uma agência da Caixa foram quebrados.

Os estragos na Lapa provocaram ainda o cancelamento de shows que já estavam marcados. Na noite da quinta-feira, a casa de shows Lapa 40 graus teve que cancelar a apresentação da dupla Edson & Hudson. O local fechou as portas por motivo de segurança. Já a apresentação do sambista Monarco, marcada para esta sexta-feira, no Carioca da Gema, também foi cancelada. O Citibank Hall, na Barra, também adiou a apresentação de Alex Cohen. A apresentação foi remarcada para a próxima sexta-feira.

Moradores relataram que a Lapa viveu cenas de guerra urbana. Na confusão, os bares foram fechados e algumas pessoas ficaram encurraladas dentro de alguns deles. Segundo um morador, que preferiu não se identificar, manifestantes que ainda estavam nos bares vaiaram os policiais, que, segundo ele, revidaram com tiros de bala de borracha.

— A confusão então começou. Foi nesse momento que a vidraça da Caixa foi quebrada. Vi três caveirões na rua e entendo que houve despreparo da PM. Isso aqui não é conflito contra bandidos, é a população inteira protestando. Vi pessoas das janelas dos prédios jogando garrafas no caveirão, revoltadas com o que assistiam — contou o morador.

Uma loja de uma operadora de telefonia, que fica na Rua Treze de Maio, perto da Cinelândia, foi saqueada. O estabelecimento teve praticamente todos os celulares que estavam expostos na vitrines e computadores roubados, segundo um dos segurança do local. A loja não abriu nesta sexta-feira e os funcionários contabilizam os prejuízos. Na porta de ferro retorcida, um aviso dizia: “Por motivo de força maior, a loja não abrirá”.

Por toda a região da Cinelândia, há marcas dos estragos. Estilhaços de vidro da fachada de uma agência bancária estão espalhados na calçada, embora o banco estivesse protegido por tapumes de madeira. Vidros quebrados também no elevador da estação do metrô da Cinelândia, num dos acessos ao estacionamento da Praça Mahatma Gandhi. Destruição também num ponto de ônibus próximo à Biblioteca Nacional e em totens de publicidade.

A Câmara de Vereadores não escapou dos atos de vandalismo. O prédio foi pichado e orelhões no entorno acabaram queimados. Vândalos tentaram também incendiar uma cabine da Polícia Militar, próximo ao Cine Odeon. Um cone e folhas de jornal foi atiradas na cabine e os baderneiros atearam fogo, mas a cabine não foi destruída.

Também houve ataque a bancos na Avenida Rio Branco, próximo à Praça Mauá e à Rua do Rosário, onde uma lanchonete também foi destruída. Na Praça Quinze, um estande de informação turística montado para a Copa das Confederações foi completamente destruído, com computadores roubados. A empresária Katia Freitas, responsável pela empresa contratada para a montagem do estande, lamentou o vandalismo:

— Apesar do prejuízo, sou favorável às manifestações ordeiras. O povo tinha de fazer algo. Torço para que esses atos de depredação não prejudiquem a imagem dos protestos — diz Kátia.
O terminal das barcas da Praça Quinze foi outro alvo dos vândalos. O grupo derrubou grades que ajudam a organizar as filas do lado de fora e amassaram as portas de ferro das bilheterias. Além de uma loja de departamento e de telefonia na Cinelândia, um outro estabelecimento de uma operadora de celular foi arrombado e saqueado na esquina das avenidas Rio Branco e Presidente Vargas.

Por volta de 2h, peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) realizavam a perícia técnica no Terreirão do Samba, que tem transmitido os jogos da Copa das Confederações. Os vândalos derrubaram as grades e invadiram a área, destruindo estandes de patrocinadores, além de danificar uma parte do palco principal, que transmitia os confrontos da competição. Também houve pichações, com frases agressivas sobre a realização do evento esportivo.

Em decorrência dos danos provocados nos sinais de trânsito da Avenida Presidente Vargas, a CET-Rio implantou um esquema especial e operação manual dos cruzamentos. Porém, de acordo com a CET-Rio, os motoristas devem ter atenção por conta de falhas nos semáforos da área. Agentes do órgão estão no local para organizar o trânsito.

Fonte:  O Globo


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