Rio de Janeiro - Brasil

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Morre Jaiminho, um dos mais famosos 'papagaios de pirata' de programas de TV do Brasil


Jaime Sabino, o mais famoso "papagaio de pirata" do Brasil, faleceu nesta quinta-feira, aos 83 anos, no Hospital de Ipanema, após sofrer um infarto. O corpo de Jaiminho, como era carinhosamente chamado, será sepultado nesta sexta-feira, às 15h, na capela K do Cemitério do Caju, na Zona Portuária.

Ele presenciou pelos menos 1.150 enterros de celebridades, como Chacrinha, Daniela Perez, Tancredo Neves, Oscarito, Cazuza, Nelson Gonçalves, General Ernesto Geisel, Roberto Marinho, General Médici, Jorge Lafond, Tim Maia e Irmã Dulce, entre muitos outros. O último enterro de celebridade a que compareceu, até hoje, foi o do arquiteto Oscar Niemeyer, em dezembro de 2012.

Saber como ele estava sempre em cima do lance é um mistério. Dono de mais de 300 ternos e outras tantas gravatas, Jaime Dias Sabino dedicou a vida a monitorar onde estariam as câmeras de jornais e TVs para tirar uma casquinha. Em sua casa, no Rocha, colecionava mais de 300 mil aparições. Nas imagens, era possível vê-lo com Xuxa, Angélica, Itamar Franco, em treinos de futebol e em matérias de tragédia.

Jaime veio da Bahia aos 7 anos, fugido de uma educação repressora. O enterro de Getúlio Vargas, em 1954, foi seu primeiro. Amor à primeira vista. “Vi que era bom; me sinto orgulhoso de prestigiar alguém importante. Se não vou lá e não seguro o caixão, fico triste”, disse em entrevista para a coluna As Caras do Rio , de O DIA , em fevereiro de 2013. Ele dizia gostar de sentir o peso do morto.

Nos anos 1960, Sabino iniciou sua vida como funcionário público na Prefeitura de Nilópolis. Chegou a fundar um certo Sindicato dos Papagaios de Pirata. Em 2010, concorreu a deputado estadual, tendo como bandeira justamente a regulamentação da profissão de papagaio de pirata.
Ex-funcionário da Prefeitura de Nilópolis, ele colecionava muitos "causos" curiosos. No enterro da atriz Dina Sfat, por exemplo, caiu dentro do túmulo com o então prefeito Marcello Alencar. No do ex-presidente Castelo Branco, pegou no caixão errado.

Além de adorar aparecer em reportagens, também teve faceta como ator. Estrelou mais de 40 filmes e fotonovelas. Este ano foi homenageado no documentário “Aqui jaz Jaiminho”, de Alex Teixeira. Jaime era viúvo, deixa dois filhos, quatro netos e dois bisnetos.

Fonte: Foto: João Laet / Agência O Dia

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