Rio de Janeiro - Brasil

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Pan marca decadência da ginástica feminina com racha e intrigas entre atletas


A ginástica feminina do Brasil, que viveu anos como esperança de medalha olímpica, vive seu pior momento desde o surgimento da geração que levantou o esporte. Nesta sexta, a equipe verde-amarela tem sua última chance de medalha no Pan de Guadalajara, mas o mau desempenho nos primeiros dias e o vazamento de informações sobre o mau relacionamento entre as atletas já evidenciou a crise interna.
A seleção chegou ao Pan de Guadalajara depois de falhar no Mundial de Tóquio, que dava vaga para os Jogos de Londres, em 2012. Nenhuma das ginastas conseguiu medalhas individuais e o time ficou fora da lista dos oito melhores, que conseguiriam vagas olímpicas. No México, a história foi parecida.
A equipe ficou na modesta quinta colocação, fora do pódio da competição pela primeira vez desde o Pan de Mar del Plata, em 1995. Nas provas individuais também não foi bem. O melhor resultado até aqui foi de Adrian Nunes, quarta no salto. Nesta sexta, Daniele Hypolito faz sua última tentativa de medalhas no solo, final para a qual se classificou com a sétima melhor nota.
Para ir a Londres, o time precisa se encaixar e conquistar quatro vagas entre oito países concorrentes que estarão no evento-teste na Inglaterra, em janeiro de 2012. Tudo muito diferente dos números de alguns anos atrás. Daniele Hypolito, por exemplo, foi a primeira brasileira a conseguir medalha em um Mundial, em 2001, com a prata no solo.
Daiane dos Santos foi além. Sagrou-se campeã mundial em 2003, no auge da sua forma, mas não conseguiu repetir o bom desempenho nas Olimpíadas de Atenas, em 2004, quando terminou na quinta colocação. A esperança de medalhas olímpicas em 2008, em Pequim, foi depositada na conta de Jade Barbosa, bronze no Mundial do individual geral em 2007.
A medalha não veio, mas o surgimento de novas ginastas e o crescimento da modalidade parecia inevitável. Só que os resultados cessaram e o clima entre as ginastas não ajuda em nada.
Em coro, todas reclamaram da maratona de 45 dias de confinamento na preparação para o Mundial de Tóquio e o Pan de Guadalajara. Daiane dos Santos pediu a volta da seleção permanente com Oleg Ostapenko, técnico ucraniano que liderou a ascensão do país na ginástica e agora está de volta para um projeto em Curitiba.
Daniele Hypolito foi pelo caminho contrário. A ginasta do Flamengo se recusa a voltar a uma seleção permanente com o estrangeiro e diz não abrir mão de seus técnicos brasileiros. Além disso, falou em falta de união da equipe feminina em comparação com o time masculino, que vive um grande momento: conseguiu o ouro por equipes e já tem Diego Hypolito e Arthur Zanetti, medalhistas no Mundial, garantidos para Londres.
As brigas internas foram o tema do discurso de Adrian Nunes. Sem medo de represálias, a ginasta gaúcha abriu o jogo. “A gente não está sendo um grupo. Tem muita briga, muita intriga. Nós fizemos até uma reunião para tentar resolver isso, mas não ficou tudo certo. O problema é só eu e a Dai [Daiane dos Santos] somos mais escandalosas. As outras são mais quietas e não falam nada. Só que elas falam umas das outras por trás”, disse Adrian.
A divisão do grupo em torno de Daiane dos Santos e Daniele Hypolito parece mais grave que nunca, mas está longe de ser nova. As duas surgiram na mesma época e dividiram o protagonismo da seleção. A ginasta do Flamengo conseguiu bons resultados primeiro, ganhou status de promessa e o apelido de “Pequena Notável”.
Daiane, no entanto, foi mais longe. A gaúcha foi campeã mundial e, mais carismática, abalou a posição de Daniele dentro do time. Desde 2004, em Atenas, ela não é mais apontada como favorita às medalhas. Agora, a rixa pode definir o futuro da seleção. A discordância das duas sobre a estratégia a ser adotada pelo futuro tem a ver com um problema político maior.
A direção antiga da CBG, de Vicélia Florenzano, foi a responsável pela contratação de Oleg na primeira vez e também agora, já que a Federação Paranaense de Ginástica (FPG), presidida por ela, é quem toca o projeto do ucraniano atualmente. Já a cúpula atual da entidade foi a responsável pela decisão sobre o fim da seleção permanente e prefere relativizar a crise atual.
Fonte:
http://pan.uol.com.br/2011/ultimas-noticias/2011/10/28/pan-marca-decadencia-da-ginastica-feminina-com-racha-e-intrigas-entre-atletas.htm


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