Rio de Janeiro - Brasil

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Os velhos problemas do "novo" Carnaval amapaense


O desfile das escolas de samba do Amapá já ocorre há 50 anos. Apesar do marketing e do discurso alinhado, incluindo o da imprensa, os velhos problemas de organização e investimentos continuam refletidos no desempenho das escolas.
A força e a garra das agremiações, nem sempre são suficientes para garantir um bom desfile. Para que o evento alavanque o turismo e a economia local, cantilena repetida pelo governo à exaustão todos os anos, ainda há um caminho longo a percorrer.

As dificuldades começam no planejamento que não é acompanhado pelos órgãos públicos, de onde vem a maior parte do financiamento do carnaval, reclamam os dirigentes das agremiações. Segundo a Liga Independente das Escolas de Samba do Amapá (Liesap), os preparativos para o desfile do ano seguinte iniciam logo após as apresentações na Ivaldo Veras, momento em que os carnavalescos começam a trabalhar no enredo, para então elaborar o projeto contendo o que será levado para a avenida.

“Os custos começam aí porque em alguns casos, esses profissionais tem que viajar para fora do Estado para pesquisar sobre o tema retratado. E mesmo quem não tem essa necessidade de sair da cidade, precisa de logística para executar esse trabalho”, explica o presidente da Liesap, Luiz Mota, o Geleia.

Como nem todas as escolas têm condições de captar recursos de outras fontes, ao mesmo tempo em que ficam na expectativa se o Governo do Estado ou a Prefeitura de Macapá vão liberar recursos para o evento, as agremiações também ficam apreensivas se terão condições de reparar os prejuízos contabilizados com os preparativos. “Qualquer escola não gasta menos do que R$ 80 mil com mão-de-obra chegando até a R$ 200 mil. Fora os materiais que compramos para a confecção de adereços e demais produtos que conseguimos através de cartas de crédito”, atesta Geleia.

São carpinteiros, eletricistas, soldadores, aderecistas, cozinheiros, pintores, estilistas, costureiras, coreógrafos e profissionais artesanais que são contratados todos os anos para transformar o enredo em alegorias e fantasias. “Esse contato é feito com muita antecedência e assinamos contratos com essas pessoas para fazer esse trabalho. Então precisamos honrar esse compromisso com cada uma delas”, diz o presidente da Escola de Samba Império da Zona Norte, William Duarte, agremiação que abriu os desfiles do primeiro dia.

Mesmo sabendo disso, o projeto da Cidade do Samba é subutilizado durante quase todo o ano os barracões ficaram fechados. Nenhuma atividade foi realizada lá para captar recursos para as escolas. O projeto que custou R$ 8 milhões para o governo foi utilizado mesmo pelo Sebrae, que realizou lá o Amazontech. Não se sabe se as escolas ganharam alguma coisa com o “aluguel” da área.
 
Há casos em que a produção é paralisada por falta de pagamento a esses profissionais, o que acarreta na perda de pontos no momento da apuração pela comissão julgadora em função, de um eventual acabamento que precisou ser finalizado em algum carro alegórico.

O custo de uma equipe de soldadores de uma escola do Grupo de Acesso varia de R$ 4 mil a R$ 8 mil; de costureiras, de R$ 5 mil a R$ 10 mil; de músicos, chega a R$ 20 mil. Números esses que podem aumentar quando se trata de agremiação do Grupo Especial.

Duarte exemplifica o atraso no repasse dos recursos por parte do Governo do Estado e Prefeitura de Macapá, como um dos fatores que incidem diretamente no planejamento das agremiações. “É muito complicado de se trabalhar desse jeito. O custo do carnaval é muito alto. É preciso que todos os entes públicos se antecipem junto com as escolas para que tudo saia como planejado”, sugere.

Para o desfile deste ano, o governador Camilo Capiberiebe liberou recursos na ordem de R$ 2,7 milhões divididos em cinco parcelas, sendo que a primeira, que deveria ter saído em 10 de dezembro do ano passado, foi liberada somente 17 dias depois. A falta de programação e o descompasso entre o discurso e a prática implicou que a última parcela dos recursos do governo só saiu no primeiro dia de desfiles. “Não dá tempo de quase nada.

A escola já está na avenida praticamente e as demandas são constantes”, diz Duarte. A Prefeitura de Macapá, por sua vez, também liberou R$ 100 mil, pagos a poucos dias do desfile.
O dirigente da Império da Zona Norte também aponta como alternativa de financiamento, a captação de recursos federais.

“Sabemos que vários órgãos patrocinam eventos culturais. Por isso, gostaríamos que as Secretarias de Cultura, tanto da Prefeitura, como do Governo do Estado, nos ajudassem com orientações na elaboração de projetos para captar esses recursos, além de entidades como o Sebrae para nos orientar em como trabalhar o empreendedorismo. Não temos uma emenda parlamentar destinada ao carnaval”, diz Wiliam Duarte.

O presidente da Liesap, Luiz Mota, disse que vai atuar junto ao município, Estado e parlamentares amapaenses, a fim de que sejam garantidos no orçamento, recursos para o desfile das escolas de samba do Amapá.

Fonte: A Gazeta

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