Rio de Janeiro - Brasil

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Dengue, negligência e morte


Rio -  Negligência no atendimento pode ter custado a vida de Luciana Rodrigues de Souza, 29 anos, que entrou na estatística de mortos por dengue divulgada terça-feira pela Secretaria Municipal de Saúde. A moça chegou a passar por três unidades de saúde, antes de morrer numa maca no corredor da Emergência do Hospital Estadual Albert Schweitzer, em Realengo. Apesar de ter sido diagnosticada com o vírus no primeiro atendimento, ela não teve tratamento adequado, segundo a família.
Segundo a mãe, Deneci Rodrigues de Souza Gonçalves, 51, a filha começou a passar mal dia 26. Levada ao Posto de Saúde de Ataíde dois dias depois, ela foi atendida por uma enfermeira, que fez o diagnóstico de dengue e receitou remédio para enjoo, paracetamol e hidratação. A jovem já tinha dores abdominais (um dos sintomas de dengue grave), vômito, diarreia e febre, mas não foi internada.
Na sexta (dia 30), Luciana voltou ao posto. Após esperar mais de uma hora, foi orientada pela recepcionista a procurar outra unidade. “O médico estava atendendo em outro lugar. Fomos para casa e, de lá, à UPA de Bangu. Minha filha mal conseguia andar”.
Apesar de ter chegado na UPA às 17h, só foi atendida às 20h. Recebeu soro e, por volta de meia noite, alta. “Ela não dormiu a noite toda. No sábado, dia 31, começou a vomitar sangue”, contou a mãe.
Desesperada, Deneci decidiu levar a filha ao Hospital Albert Schweitzer, em Realengo. Mas o atendimento foi recusado. “Disseram que não era polo de dengue e mandaram procurar o Pam de Bangu. Lá, os médicos mediram a pressão, colocaram em ambulância e levaram de volta ao Albert”, disse.
Luciana foi colocada em uma maca no corredor da Emergência com a promessa de ser encaminhada para o CTI. Mas isso não aconteceu. “Na manhã seguinte, me chamaram e disseram que ela tinha sofrido duas paradas cardíacas e não sobreviveu. Não acredito que minha filha morreu de dengue em uma maca no corredor de um hospital”.
Secretarias dizem que vão apurar o caso
Ao preparar a filha para o enterro, Deneci constatou falta de pertences. “Fiz um escândalo. Descobri que o relógio e R$ 20 que estavam no bolso dela foram parar no carro de um dos chefes de equipe”, acusou.
A Secretaria Municipal de Saúde, responsável pelo Posto de Saúde de Ataíde e Pam de Bangu, limitou-se a dizer que “o caso está sendo investigado”. A Secretaria Estadual de Saúde afirmou estar “apurando a conduta dos profissionais de suas unidades” (UPA de Bangu e Hospital Albert Schweitzer) e que “não procede a informação de que pertences da paciente tenham desaparecido na unidade, tampouco que estaria no carro de funcionário”. 
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