Rio de Janeiro - Brasil

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Estudo afirma que a economia mexicana poderá ultrapassar a do Brasil em 2022.

Alguns economistas do mercado financeiro acreditam que o modelo adotado pelo Brasil na última década – fortemente baseado em exportação de commodities – está chegando perto do seu limite, e que o país terá crescimento mais lento nos próximos anos.
O último boletim Focus – baseado em consultas do Banco Central a profissionais do mercado financeiro – projeta que a economia brasileira crescerá 1,62% em 2012, índice inferior aos 2,7% registrados em 2011.
Em contrapartida, o México estaria começando um período de retomada econômica graças ao renascimento de seu setor industrial. Algumas consultorias internacionais preveem que o PIB mexicano, apesar da desaceleração chinesa e da recessão na Europa, pode crescer 4%, .
A corretora japonesa Nomura é uma das maiores entusiastas da ascensão mexicana. Em maio, quatro analistas da Nomura divulgaram uma pesquisa intitulada "América Latina: Uma troca da guarda".
"Na última década, o Brasil foi sem dúvida a macro-história mais brilhante da América Latina, oferecendo a investidores oportunidades amplas. Olhando para o futuro, no entanto, as estrelas parecem cada vez mais alinhadas para um desempenho econômico superior do México", escreviam os analistas.
No mês passado, a Nomura divulgou outro estudo no qual afirma que a economia mexicana – apesar de ter metade do tamanho da brasileira – poderá ultrapassar a do Brasil em 2022, se uma série de fatores se confirmarem, como a contínua retomada americana e a desaceleração da economia chinesa.
O estudo lembra que, em 2002, o PIB nominal (que não leva em consideração a inflação) do México era 37% maior do que o do Brasil. Naquela época, o México tinha um setor produtivo considerado mais eficiente e, principalmente, uma moeda mais valorizada do que o real.
"A sorte dos dois países começou a mudar nos anos 2000", escrevem os analistas da corretora. "Para o Brasil, o que mudou o jogo foi a disparada no preço de commodities desde 2003, que reflete o crescimento da China como principal potência econômica. Mas nós acreditamos que os dois países estão na beira de uma nova virada."
"Apenas em duas coisas os brasileiros são infinitamente melhores do que nós os mexicanos: no futebol e em contar vantagem"
A Nomura acredita que o "boom" do preço das commodities está para acabar, com a China diminuindo o seu apetite por matéria-prima, um prenúncio de uma década de crescimento lento para o Brasil. Por outro lado, a economia dos Estados Unidos – para onde o México exporta 80% da sua pauta comercial – está retomando seu crescimento.
A Nomura acredita que o crescimento anual do PIB brasileiro se estabilizará em 3% na próxima década, com o México atingindo a média anual de 4,5%. O banco britânico Barclays faz uma projeção semelhante para o México.
Enquanto o Brasil se especializou em exportações agrícolas, o modelo mexicano é mais parecido com o chinês, com forte exportação industrial – como eletrônicos e equipamentos de telecomunicações – e baixos custos trabalhistas.
Na última década, quando a China cresceu com vigor, o México perdeu terreno internacional para produtos chineses mais baratos.
Um estudo publicado na semana passada pelo Barclays estima que o "efeito China" custou ao México US$ 52 bilhões – ou 2,8% de crescimento do PIB – entre 2002 e 2006.
Agora, com a China reduzindo seu crescimento de 10% para 7% este ano, o México estaria se beneficiando. O Barclays estima que mudança do ritmo chinês e inovações tecnológicas no México são os principais fator por trás da nova onda de crescimento.
"Desde 2010, isso está se revertendo, na medida em que a economia chinesa está passando por transformações estruturais, enquanto o México ganha competitividade", afirma o estudo do Barclays de autoria do economista mexicano Marco Oviedo.
"Ninguém no mundo está crescendo hoje, mas o México está com taxas perto de 4%. Já o Brasil passa por problemas cíclicos e estruturais, e está procurando caminhos para voltar a crescer", disse Oviedo à BBC Brasil.
Tanto o Barclays quanto a Nomura veem ganhos de longo prazo no modelo mexicano. Os analistas acreditam que um modelo baseado na indústria produz avanços tecnológicos e de competitividade maiores do que um modelo voltado para o setor primário.
Mais importante, os ganhos tecnológicos na indústria no México produziriam uma mão de obra mais qualificada, com ganhos de produtividade maiores no longo prazo.
Para Benito Berber, um dos autores do estudo da Nomura, o incremento na produtividade do trabalhador brasileiro tende a se "dissipar" se o país crescer menos no futuro, porque a produção de commodities não qualifica tão bem a mão de obra.
"A produtividade da indústria no Brasil está caindo, mesmo com o país chegando perto do pleno emprego", disse ele à BBC Brasil.
Mas nem todos compartilham da euforia com o México.
Assim como o crescimento brasileiro precisa do apetite chinês por commodities, a economia mexicana é altamente dependente dos Estados Unidos, cujo ritmo de recuperação ainda é uma incógnita. Em 2009, o pior ano da recessão nos Estados Unidos e no mundo, o PIB mexicano despencou 6%, enquanto o Brasil teve leve contração de 0,3%.
Para Mark Weisbrot, especialista em América Latina do instituto americano Center for Economic and Policy Research, o desempenho superior do México nos últimos dois anos se dá apenas por fatores conjunturais, e não de longo prazo.
"Eu acho que no ano que vem o Brasil já vai retomar o seu crescimento. O país foi mais fortemente afetado pela crise europeia este ano. Já o México é tão ligado à economia americana que não foi tão afetado", disse Weisbrot à BBC Brasil.
"Para o Brasil, o que mudou o jogo foi a disparada no preço de commodities desde 2003, que reflete o crescimento da China como principal potência econômica. Mas nós acreditamos que os dois países estão na beira de uma nova virada."
"O Brasil está pressionando mais para baixar os seus juros, está dando estímulos para economia diante da desaceleração e não estão esperando uma recessão chegar. Sou muito mais otimista em relação ao Brasil."
Os próprios autores dos estudos mexicanos fazem ressalvas. Berber e Oviedo condicionam o bom crescimento mexicano à aprovação de reformas liberais propostas pelo recém-empossado presidente Enrique Peña Nieto, como flexibilização do mercado de trabalho e do setor de energia.
Fonte:


Opinião
O Brasil parece aquelas pessoas que precisam levar um “tranco” para ver se acorda. Festejava uma pujança econômica que na realidade era pautada na venda de produtos primários, ao invés de fazer como as principais potencias emergentes, investindo na industria.
Hoje ao lermos a matéria acima da BBC, vemos o quanto o governo brasileiro parece anestesiado. Ate o México parece que vem fazendo a lição de casa, ainda que seu modelo seja semelhante ao Chinês, ou seja sendo pautado na industria por possuir abundante mão de obra barata, mas ainda assim, investe em sua industria, enquanto o Brasil parece que preferiu se especializar na venda de “capim”.
Espero que o governo brasileiro não jogue fora de vez a oportunidade que este Pais tem de se estabilizar entre as principais nações do mundo, investindo em tecnologia e em sua industria, para que situações como essa, ou seja de ser nivelado por baixo, sendo comparado com um apêndice dos Estados Unidos não volte a ocorrer. Temos que nos nivelar por cima, de um dia, quem sabe, estarmos disputando a dianteria com China.
Por Uanderson

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