Rio de Janeiro - Brasil

sexta-feira, 13 de março de 2015

Enfermagem, uma profissão sexista.



O artigo que trago hoje é sobre uma discussão que afeta muitas profissões, o sexismo. A predileção de um gênero sobre o outro( geralmente o masculino sobre o feminino) é algo que as entidades representativas vem lutando pela igualdade de gêneros no mercado de trabalho, igualdade de direitos e salarial.

Porem há uma profissão que o sexismo e o inverso, o feminino em relação ao masculino. Existe dentro da profissão setores muito resistentes ao ingresso dos homens na enfermagem, que no Brasil ocorreu após a reforma universitária em 1968, em que a enfermagem foi declarada uma profissão que poderia ser desempenhada  por ambos os sexos.

Artigos que abordam a inserção do gênero masculino na profissão são poucos e todos abordam que o homem na enfermagem e visto com uma espécie de guindaste, isto é, são bem vindos para os setores onde o trabalho braçal e mais intenso. Há setores como obstetrícia/materno em que o enfermeiro – homem, não é bem vindo, a desculpa e que as mulheres se sentiriam desconfortáveis com um homem a examinando.

Mas os médicos homens podem ser obstetras, podem examinar essas mulheres sem preconceito, como pode? O medico homem é uma “divindade”  e por tanto não há restrição deste profissional ao contrario do enfermeiro homem, que não seria um profissional de saúde e sim meramente um homem?

Tive essa experiência ainda na faculdade. Estava em estagio de materno-infantil e a professora pediu que os alunos( estudantes homens) saíssem da sala para que as alunas pudessem examinar uma paciente puérpera. Segundo a professora, a paciente poderia ficar constrangida com nossa presença ( alunos homens). Mas quando o medico (homem) chegou na sala não houve constrangimento algum.

O sexismo na enfermagem, como visto ocorre ainda na faculdade em que ate os livros excluem o gênero masculino como parte integrante da profissão. Um exemplo gritante vem do livro mais utilizado pelos estudantes e profissionais da enfermagem, o “Tratado de Enfermagem Medico – Cirúrgica Brunner & Suddarth”.

O Livro que no Brasil tem como revisoras técnicas as enfermeiras Drª Isabel Cristina Fonseca da Cruz, Drª Ivone Evangelista Cabral e Márcia Tereza Luz Lisboa. No prefacio do livro a uma nota da editora dizendo: “ Por opção das revisoras técnicas, neste livro foi adotada a designação a enfermeira, considerando a natureza histórica da profissão.”

Sendo que o livro vai além da designação a enfermeira, ele também exclui estudantes de enfermagem do gênero masculino, onde há varias referencias como “as estudantes de enfermagem”.

A justificativa para esse comportamento e que o cuidar, que é a premissa da enfermagem, é algo inerente a mulher. Mas essa afirmativa tem tanto peso assim nos dias de hoje?

Prescrever um cuidado e praticá-lo não é nenhuma atividade que possa tirar a virilidade de um homem, alias não há nenhuma atividade na enfermagem que um homem não tenha condições de exercê-la. No passado, por questões da forma de organização social os homens trabalhavam, enquanto as mulheres tinham como atribuição cuidar dos filhos.

Com o advento da revolução industrial, as mulheres passaram a trabalhar. Profissões que tinham como foco o cuidar e ensinar eram as principais ocupações das mulheres, como exemplo professoras do ensino básico.

Hoje as mulheres ainda encontram resistência de seu ingresso em algumas áreas profissionais, ainda existe diferença salarial mesmo ocupando o mesmo cargo que os homens, ou seja, ainda há muita luta para tão sonhada igualdade entre homens e mulheres, mas ainda assim podemos ver um grande progresso, hoje por exemplo vemos mulheres trabalhando como motoristas de ônibus, de carretas!

Em canteiros de obras, local majoritariamente masculino ate pela atividade braçal pesada que esta atividade profissional exige, já vemos mulheres virando concreto.

Quanto à área da saúde não é somente a enfermagem que possui maior quantitativo de mulheres na profissão, estudos recentes apontam que nas faculdades com exceção do curso de medicina, todos os demais cursos voltados para área da saúde são representados por estudantes do sexo feminino.

E por falar em medicina, esta profissão secular reduto masculino, hoje já não e mais um gueto de homens, as mulheres conseguiram vencer o preconceito mostraram igual competência. Já a enfermagem parece que há uma situação contraria, onde algumas figuras representativas da profissão acham que a enfermagem é uma exclusividade feminina e o homem seria um intruso o qual sua presença poderia representar a perda do que seria a única profissão onde o homem não manda.

No meu ponto de vista a enfermagem deveria se abrir, tirar o preconceito e ver que o homem não e um inimigo que vá tirar o “trono” das mulheres enfermeiras, a participação de ambos os gêneros só fará a acrescentar na profissão, assim como vem ocorrendo com o ingresso de mulheres em profissões ditas masculinas.

Não deveríamos seguir pelo “Apartheid de gênero” e sim pela integração, não se faz uma sociedade igualitária baseada no gênero, e sim na competência que o indivíduo apresenta.

Uma dica para as revisoras técnicas do Brunner & Suddarth, se não querem usar o genro masculino na designação da profissão por ser representada em sua maioria por mulheres, pelo menos coloquem o artigo “o” antes de enfermeira, por exemplo a (o) enfermeira (o), porque querendo ou não os homens estão ingressando na profissão,não somente na enfermagem do Brasil, mas também em outras nações, e da mesma forma que as mulheres merecem ganhar mais espaços no marcado de trabalho, acredito que os homens também merecem!

Por Uanderson de Aquino -  Enfermeiro.

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